quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"Podes Voar"

Se tens mesmo asas só voarás,
Só voarás se tentares...
Tens que abri-las e tentar,
Se caíres podes-te magoar...

Tu consegues se acreditares
Obstáculos vêm e vão...
Só consegues se te desviares,
Obstáculos virão e obstáculos irão...

Tu podes voar!
Estejas triste ou animado,
Põe a razão de lado,
E podes imaginar...
Tudo aquilo, que quiseres, imaginar...

Vale a pena tentar...
Pode a queda magoar,
Ou o voo levar-te onde queres ir...

"Beijo"

Segura-me nesta mão,
Porque a outra está ocupada...
A outra guarda o teu coração...

Beija-me enquanto tens os lábios molhados,
Diz que me amas sem desprezo,
Foge dos meus actos amaldiçoados,
Indica-me o correto dos caminhos...

Tantos caminhos diferentes,
Qual o mesmo que o teu?
O meu cavalo morreu,
Por isso vou demorar...

Caminharei e lá chegarei...
Só tens que me beijar,
Para que possa indicar,
O tanto que ainda gosto de ti...

Esse momento ficará para a eternidade,
Será um choque de lábios verdadeiros...
Beija-me! Beija-me de verdade!
Não te acanhes, será para a eternidade!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"Ness"

Ness vivia triste com o passado,
Vivia na pobreza e sabia que nem quando morresse,
Teria campa para que seu corpo fosse sepultado...
Triste vida essa de Ness...

Dormia ao frio e caminhava ao calor,
Espancada pelos bêbados das ruas...
Deixada á margem da dor,
Pelos caminhantes das mesmas ruas...

Ainda não chegara aos vinte anos,
E já sofria por uma vida inteira...
Pobre Ness que já quase só bebia,
Lágrimas da sua pobre choradeira...


Até que um dia enlouqueceu,
E decidiu pôr fim ao seu sofrimento...
Entrou num cemitério e nunca mais saiu...

Ajoelhou-se numa campa de cimento,
E perfurou o peito com um punhal enferrujado...
Só para que acabasse o sofrimento.
Morte triste essa de Ness...

O sangue cobriu grande parte do piso,
E piso esse onde estavam também sepultados,
Corpos que com quem Ness já tinha sofrido...
Morria assim juntamente com todos outros humanos...

"Anzol"

Não me lembro do sol,
Nem da cor da lua...
Porque o teu coração,
É o meu anzol...

Magoa-me na garganta,
Só porque me precipitei...
Estou preso, porque, pensei...
Foi no apetitoso isco que me engasguei...

Ficarei para sempre a curar estas feridas...
Prefiro isso do que viver sem ti...
Magoa-me mais estar sem ti...
Mágoas acidentais que no fundo são queridas...

Não me lembro do sol...
A lua ainda vejo de vez em quando...
Estou preso no teu anzol,
E lentamente vou apodrecendo...



domingo, 13 de novembro de 2011

"Leva-me Contigo pt II"

Nunca te incomodaria,
Nunca te prometeria,
Nunca te abandonaria...

Tens razão agora,
Quando cumprimentas quem te adora,
E não a mim, a mim não...
 Tu tens razão...

Estava louco quando te deixei,
Agi impulsivamente e não pensei...
Tens razão e não tens culpa,
Desculpa-me se te magoei...

Fiz porcaria e agora para onde vou quando morrer?
Vou para o Cèu? Não me está a parecer...
Vou-me afogar em fogo escaldante,
Esperando que me tua simpatia me perdoe...

Espera por mim quando fores,
Não vás sem mim quando fores...
Não leves dores quando partires...
Por tudo aquilo que pensava ser tudo,
Não era nada, não era o que pensava ser tudo...

Pensamentos confusos tem-me a espiar,
Pensamentos tão confusos deixam-me louco...
E tudo que me deixaste não é nem tão pouco...
Deduções essas que deixam-me a rodopiar...

Quero que me leves contigo...
Não estou a implorar e pedir,
Estou a gritar!
"Leva-me contigo!"

Paralelamente àqueles que nos deixam,
Estão aqueles que nos levam...
Perpendicularmente àqueles que nos prejudicam,
Estão aqueles que nos beneficiam...



"Sabes?"

Se pensas que um beijo,
Só se dá nos lábios, estás enganada...
Porque sempre que te vejo,
É para mim, um beijo...

Se pensas que tocar é só com a mão,
Estás enganada também...
Sempre que te vejo toco-te com o coração,
Sabes? Sabe-me mesmo bem...

E se pensas que te desejo,
Estás enganada mais novamente...
Primeiro quero um beijo,
Depois é que vem o desejo ardente.

Já nem sei o que fazer comigo mesmo,
Já nem sei o que digo da boca para fora,
Se me falas a minha cara cora...
Já nem sei o que fazer comigo mesmo...

Não tenho culpa do que sinto,
Quando consumo a tua substância,
Que me embebeda como absinto...
Essa tua doce substância... Sabes?

sábado, 12 de novembro de 2011

"B De Beatriz"

Ninguém sabe o que se esconde,
Por detrás dessa cara perfeita,
Que está assim tão longe,
Da minha sorte já feita...

Tento elogiar-te...
Penso em como conquistar-te...
Mas no fim acabo por me rir,
Quando me lembro que é tão inútil lutar, como desistir...

Passo horas e horas a pensar,
Como parar de te amar...
Mas não dá, quero continuar a olhar dessa maneira,
Achando-te única e perfeita...

Mas... O teu coração está noutro lado...
Já tem um dono que o guarda, e bem guardado...
E isso deixa-me congelado...

Dizem que sonhar é para os caloiros,
Não quero saber que assim o seja,
Os meus são verdadeiros...
Tal como neles, és tu quem me beija...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Camuflagem"

Não posso destruir aquilo que não está lá...
O amor para mim é uma jaula,
E nem a camuflagem ajuda...
Daí a infelicidade nascerá...

Observei todas as marés...
Uma a uma esperei...
Agora sei quem és,
És a rainha da qual tento ser o rei...

Dava muita coisa para te cativar,
Não posso. Estou enjaulado...
Solta-me para que te possa beijar,
E olha para mim camuflado...

O que me rodeia torna-me obscuro...
O que me prende é um muro...
Arrancaste suspiros de mim,
E nada pedi para que fosse assim...

Poupa a tua respiração,
Talvez um dia percebas a verdade,
O meu coração...
O meu coração é teu sem vaidade!

Há tanto tempo que te quero ter,
E tu não queres saber.
Pergunto eu se vale a pena,
Esperar para continuar a sofrer.

domingo, 6 de novembro de 2011

"Princesa Da Fortuna"

Não és feliz,
Nem serás com aquilo que terás...
Não és feliz,
Nunca o serás...

Foges de mim que só te quero bem,
Insistes em viver nessa espelunca espiritual,
Insistes em insistir, por pensares ser original...
Eu, quero-te mais que ninguém...

Não percebes o que te destinaram a ser...
Minha Princesa da Fortuna,
Tenho tanto medo de te perder...
Safa-te, pede-me ajuda...

O problema é que estás desesperada,
E eu quero-te ajudar, mas não sei se posso,
Sou apenas um rapaz que gosta de blues e manteiga salgada...

Princesa da Fortuna, Princesa da Beleza...
Queima-me esse teu cabelo louro...
Ofusca-me esse teu sorriso d´ouro...
Vem cá, deixa-me ajudar-te na tristeza...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

"Mary Anne, Parte I"

Conheço uma história antiga,
Duma menina mendiga,
Que também outras pessoas conhecem...
Embora o fim, todas elas desconheçam...

Tinha-se perdido da família quando era menina,
E ninguém a procurou desde então...
Perdeu-se no frio da neblina,
E agora a única coisa que a mantêm quentinha,
É o seu coração...         

Mary Anne era o nome que lhe tinham baptizado,
E também a única coisa que se lembrava desde pequena...
Longe da realidade, não acena,
Mantém seu carácter abençoado

Era uma mendiga vestida como um palhaço,
Que pedia esmola num beco escuro...
Num dia chuvoso parou lá um ricaço,
Atirando a sua moeda mais pequena com um sorriso...

Mary Anne debruçou-se e agradeceu o gesto,
"Abençoado seja você,
Ajudando-me na minha mercê"




Voltarão a encontrar-se mais tarde, e Mary Anne sabe,
E quem lembra não se esquece...
A vingança pura é atempada,
E com tal não se sentia apressada...